É com uma profunda tristeza que escrevo este artigo, meus caros jovens, no dia 12 de Abril do ano de 2012, foi aprovada a lei que legaliza a mulher matar seu próprio filho que tende a nascer anencéfalo.
Aqueles que apoiam esta lei defendem que a criança anencéfala nasce sem o cérebro, e isto é uma interpretação abrasiva e ignorante. A própria medicina, juntamente com testemunhas (pais de crianças anencefálas), comprova que esta criança nasce com cérebro sim, mas, com uma deformação. E esta deformação atinge em relação a aprendizagem da criança, mas não amputa o ato de chorar ou rir, expressões que qualquer criança recém-nascida em “perfeito” estado é capaz de realizar.
O desejo que o ser humano tem de querer ser deus é algo perceptível na própria bíblia, “ e vós sereis como deuses, versados no bem e no mal” (Gn 3, 5), e mesmo sabendo o final desta história parece que o desejo de poder, de superioridade, o desejo de ter as chaves do céus e dos infernos, é cada vez mais forte pelo homem “moderno”.
Como podemos dizer ser tão avançados se estamos cada vez mais andando para trás? Há quem diga que a Idade das Trevas era a Idade Média por conta do “retrocesso” intelectual e cultural, uma “paralisia” de pensamentos, tendo como culpa a Igreja, mas é um leve engano, a verdadeira Idade das Trevas é esta que estamos vivendo, que não é culpa da Igreja, tempo de homens e mulheres cada vez mais frios, insensíveis, desconhecidos de si mesmo, desconfiados, parece que quanto mais estudamos, mais ignorantes e descrentes estamos ficando. Realmente, nós é que iremos destruir o mundo com nossas próprias mãos. Até quando? Quantas vidas irão matar em prol dos nossos benefícios? Afinal de contas “Que é o homem? Para que é útil? Qual é o seu bem e qual é o seu mal? (Eclo 18, 7).
Será que não bastou as milhares de vidas silenciadas na Segunda Guerra Mundial com a Bomba de Hiroshima e Nagasaki? Não diz nada os seis milhões de judeus mortos pelo Nazismo? Quantas vidas mais serão arrancadas para tocar a mente e o coração do homem e da mulher? Quanto tempo vamos ter que esperar por isto? Quantas almas inocentes? Quantas histórias serão silenciadas, amputadas, estranguladas em prol de um idealismo? Do nosso individualismo? Como já dizia o poeta Renato Russo em uma de suas canções: “Viveremos entre monstros da nossa própria criação”, o trovador moderno não errou. Nós já estamos vivendo em meio a monstros, estamos criando seres insensíveis para mais tarde sermos mortos pelas suas próprias mãos, é a cria contra seu criador. Se a mãe tem o direito de matar seu próprio filho, quem garante que o filho não terá o direito de matar sua própria mãe?
Quando o filósofo Nietzsche explanava sobre seu axioma A Transmutação dos valores, alguns o taxaram de louco, pois eis que a loucura ganha carne e ossos em pleno século XXI, ao invés de optar pela vida desejamos a morte, ao invés de criar leis que favorecessem a vida, chegamos a brigar, discutir, a fazer o possível e o impossível para criar leis que optem pela morte. Ecce Homo.
Oxalá que Deus tenha misericórdia desta humanidade perversa e violenta, e que eles aprendam que ideologias passam, e por causa disso, em um futuro próximo, “eles se envergonharão profundamente, porque não tiveram êxito; vergonha eterna, inesquecível” (Jr 20, 11). Eis o homem moderno, afogado em suas ilusões, perdido em seu caminho, descrente de tudo e de todos (até dele mesmo). Triste do homem que dá as costas a Deus, nunca encontrará uma resposta, uma verdade, só trará para si e sua nação desgraças. No livro de Jeremias encontramos uma passagem sobre os seus governadores e nação que dá as costas para Deus: “Porque eles me abandonaram, desvirtuaram este lugar[...] e encheram este lugar com o sangue de inocentes. Eis que dias virão – oráculo do Senhor – em que não se chamará mais a este lugar de Tofet ou vale de Bem-Enom, mas sim vale da Matança. Eu farei desta cidade um objeto de pavor e de burla; cada um que passar por ela ficará estupefato e assobiará, por causa de todos os seus ferimentos. Farei que eles devorem a carne de seus filhos e a carne de suas filhas: eles se devorarão mutuamente na angústia e na necessidade com que os oprimem os seus inimigos e aqueles que atentam contra a vida.” ( Jr 19, 4. 6. 8-9).
Com o Deus de Jesus Cristo não se brinca, nós é que pagamos com a nossa própria vida as consequências das escolhas que fazemos. O filósofo Sartre não errou em afirmar que toda escolha tem sua consequência. A mulher que comete aborto traz para si mesma, uma (ou várias) consequência(s), seja ela a nível psicológico, moral e principalmente físico. É necessário lembrar que no ato do aborto temos simultaneamente um suicídio, ou seja, enquanto a mulher está cometendo o aborto simultaneamente ela está cometendo um atentado contra sua própria vida, ou melhor, está tirando sua própria vida por conta das sequelas que sempre ficam de um aborto.
Portanto, em meio a uma sociedade tecnológica, “avançada”, “moderna”, perdida em meio dos seus próprios monstros, as únicas palavras que nós, a Igreja, homens e mulheres que não pregam apenas uma Verdade chamada Jesus Cristo, mas, que lutam em favor da dignidade e valor humano, e que diante destas leis que estão sendo aprovadas contra o próprio homem, possamos repetir as mesmas palavras que Jesus Cristo disse do alto da cruz, quando a angústia tocou-o ao ver os erros dos homens incrédulos: “Pai, perdoa-lhes: não sabem o que fazem” (Lc 23, 34).
PERGUNTA:
QUEM SÃO OS VERDADEIROS ANENCEFÁLOS?
Os que nascem assim ou aqueles que lutam em prol da morte?


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