Bem meus caros leitores,
ao receber recentemente este vídeo gravado na PUC em São Paulo (http://www.youtube.com/watch?v=rhxZupJ08Z8)
, decidi escrever este breve artigo convidando os senhores (as) a refletirem
comigo sobre alguns problemas que surgem neste vídeo, tipo: antes de ser
cristão é um ser humano, portanto, a dignidade humana foi esquecida; o ato de
ferir o código do direito civil, porque, seja ateu ou cristão é um cidadão com direitos civis
iguais; o conceito de democracia desconhecida, já que o objetivo da peça é
tratar sobre democracia; a tal
‘liberdade de expressão’ relativizada ou confundida como humilhar crenças,
imagens de pessoas simbolizadas por bonecos, etc. O rebaixamento mental: Do
humano para animal. Esses entre tantos outros pontos são os que nortearão nossa
reflexão.
Não
sou nenhum especialista em história do teatro, mas, podemos perceber que desde
o período anterior a Jesus Cristo, esta arte sempre buscou meios para manifestar
seus sentimentos, pensamentos e o modo como enxergava a sociedade. Portanto, o
marco forte das peças teatrais ficou conhecida como Tragédia Grega. Na Grécia
Antiga as peças buscavam tratar sobre o que as pessoas passavam na sociedade por
não terem ‘voz’. Os artistas faziam aquilo por aqueles que eram escravizados,
pobres, a ‘massa de manobra’ dos poderosos, expressava através de dramas a vida
deste povo.
A partir do século I d.C.
houve um bombardeio literário e porque não teatral, Jesus Cristo e seus seguidores
eram interpretados por artistas que usavam máscaras (em grego: hypocrités) para
brincar de forma humorística em relação a um ser que não foi tão bem visto
pelos romanos. Devemos lembrar que a morte de Jesus Cristo teve também uma
‘pitada’ política e não apenas religiosa, isso, porque os poderosos da época
não conseguiram entender o sentido do termo Reino de Deus, quando Jesus dizia
ser Filho do Rei, era interpretado no sentido político-social e não espiritual.
A
perseguição ao cristianismo não é de agora, cada época encontra seu modo
próprio de demonstrar sua não aceitação em relação aos cristãos, seja através
de palavras, músicas, artes, etc. O teatro deve ser visto como um meio de
levantar reflexões inteligentes, humanas, e não instintivas. Não vamos cair
também no radicalismo dos Calvinistas (século XVI), onde eles proibiam seus
seguidores a assistirem peças teatrais, porque acreditavam que teatro é algo de
Satanás. Uma das ‘armas’ utilizadas por Satã, segundo os calvinistas, é a
manipulação da mente. Uma peça teatral é a manifestação de uma fantasia, sendo
assim, fantasia é algo de Satanás, logo, não merece atenção. Não quero cair
nesse radicalismo, porque o verdadeiro cristão deve lembrar que está no mundo
com tudo que existe: vida e morte, coisas boas e ruins. Não é fechando os olhos
para a realidade que se é cristão, mas, assim como nossos santos mártires,
homens iguais a nós, não ficar calados com o que vemos na sociedade.
Mas,
o problema nesse vídeo é a falta de consciência em relação ao local onde estão
matriculados: PUC. É uma universidade criada e sustentada pela Igreja Católica,
ridicularizar a imagem da Igreja é ‘cuspir no prato que come’, porque é graças
a ela (Igreja) que estes que hoje cospem e zombam na cara dela, teêm a
possibilidade de fazer aquilo que “amam”: a arte chamada teatro.
Além
desses jovens universitários demonstrarem nestes oito minutos de vídeo um
trecho da peça que é a favor da democracia, acredito que o conceito desta
palavra não foi tão bem entendida por eles. Na democracia eu tenho a
possibilidade de falar, expressar com convicção o meu direito, desde que não
fira o do outro. Mas, aqui não temos uma DEMOCRACIA, mas, uma ANARQUIA. A
anarquia defende que não existe leis, poderes civis, porque tudo é de todos e
todos é de qualquer um. Provavelmente, como não sabem o conceito de democracia
é bem provável que não conheçam seus direitos civis. O vídeo pode servir como
prova para um processo da
ridicularização de uma pessoa-humana que ganha um nome: Papa Bento XVI. De acordo com artigo III no inciso IV diz que
deve “promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor,
idade e quaisquer formas outras de discriminação”. Mais adiante no artigo 208
vamos encontrar o seguinte sobre o termo religiosidade: “...impedir ou
perturbar cerimônia ou prática de culto religioso; vilipendiar publicamente ato
ou objeto de culto religioso...”, é algo totalmente contra o direito de escolha
de sua crença. Eu posso não concordar
com sua crença, mas eu tenho o total direito de respeitar, acreditar e
manifestar a crença que escolhi, ou seja, eu tenho o total direito de ser
cristão.
É
de deixar qualquer pessoa triste com o que vimos, não apenas pela
“agressividade” manifestada em relação aos símbolos, mas, em relação ao conteúdo
destes universitários. Jovens que jugam o futuro do seu país, que defendem com
unhas e dentes serem maduros para serem independentes, mas, as suas ações
demonstram o contrário, acreditam entenderem de política, mas, a mentalidade infantil
persiste e faz com que as palavras sejam o contrário do que foi pensado.
Esses jovens fazem jus a aqueles dois termos
que o padre Tomás Rodriguéz utiliza no seu livro A direção espiritual que são: eu-animal e eu-social. O eu-animal
está ligado ao momento que a pessoa-humana deixa ser guiada pelo instinto. O
princípio do prazer é o que rege esse ideal. O desejo de satisfação a si mesmo
por fazer algo acaba caindo em um outro ponto: irresponsabilidade. Enquanto o
eu-animal trata sobre a irresponsabilidade (não liga aos sentimentos dos
outros, faço aquilo porque me deu vontade) e prazer, o eu-social é marcado pelo
desejo de aparecer, seria como se dissesse a si mesmo: EU PRECISO SER VISTO POR
TODOS, nem que eu passe o papel de ridículo. Com o desejo de ser aplaudido,
enaltecido, louvado pelas pessoas, nesse eu
faço o que for preciso para atrair todos os olhares sobre mim. Aqui nesse vídeo
é o que podemos enxergar: o instinto animalesco em busca de satisfazer seu
prazer, uma forte irresponsabilidade e a ânsia de ser ressaltado pelas pessoas.
Também, não é a toa que o vídeo foi postado na categoria animal.
Concluindo, não vou aqui
pedir para Deus castigá-los, ou que Deus de uma grande punição a eles, ou que
todos vão para o inferno quando morrer. Aqueles cristãos que defendem essa
visão não entenderam que Deus é Pai, um Ser amoroso e misericordioso. Em 1Jo 4,
8 diz que “quem não ama não conheceu a Deus, já que Deus é amor”, apoiar
castigo, punição, é uma visão cristã deturpada, é reavivar a interpretação do
homem no Antigo Testamento em que Deus é opressor, castigador, ou seja, “se
você fez tudo direitinho na vida ganhará o céu, caso contrário, ganhará o
inferno”. Além de enxergar Deus como funcionário, Ele deve fazer aquilo que eu
que sou justo quero. Deus não age dessa forma, a lógica Dele é diferente da
nossa, o que nos resta é tomar a mesma atitude de São Paulo, por onde ele
passava pedia para intercederem por ele, porque sabia que rezar com fé pelos
outros é um dever cristão. Estes jovens erraram, mas, ainda estão no processo
de aprendizagem, até porque, conversão é durante toda vida, ninguém nasce
cristão, faz-se cristão.











