domingo, 30 de dezembro de 2012

Decapitando o direito de ser cristão



Bem meus caros leitores, ao receber recentemente este vídeo gravado na PUC em São Paulo (http://www.youtube.com/watch?v=rhxZupJ08Z8) , decidi escrever este breve artigo convidando os senhores (as) a refletirem comigo sobre alguns problemas que surgem neste vídeo, tipo: antes de ser cristão é um ser humano, portanto, a dignidade humana foi esquecida; o ato de ferir o código do direito civil, porque, seja ateu  ou cristão é um cidadão com direitos civis iguais; o conceito de democracia desconhecida, já que o objetivo da peça é tratar sobre democracia;  a tal ‘liberdade de expressão’ relativizada ou confundida como humilhar crenças, imagens de pessoas simbolizadas por bonecos, etc. O rebaixamento mental: Do humano para animal. Esses entre tantos outros pontos são os que nortearão nossa reflexão.
         Não sou nenhum especialista em história do teatro, mas, podemos perceber que desde o período anterior a Jesus Cristo, esta arte sempre buscou meios para manifestar seus sentimentos, pensamentos e o modo como enxergava a sociedade. Portanto, o marco forte das peças teatrais ficou conhecida como Tragédia Grega. Na Grécia Antiga as peças buscavam tratar sobre o que as pessoas passavam na sociedade por não terem ‘voz’. Os artistas faziam aquilo por aqueles que eram escravizados, pobres, a ‘massa de manobra’ dos poderosos, expressava através de dramas a vida deste povo.
A partir do século I d.C. houve um bombardeio literário e porque não teatral, Jesus Cristo e seus seguidores eram interpretados por artistas que usavam máscaras (em grego: hypocrités) para brincar de forma humorística em relação a um ser que não foi tão bem visto pelos romanos. Devemos lembrar que a morte de Jesus Cristo teve também uma ‘pitada’ política e não apenas religiosa, isso, porque os poderosos da época não conseguiram entender o sentido do termo Reino de Deus, quando Jesus dizia ser Filho do Rei, era interpretado no sentido político-social e não espiritual.
         A perseguição ao cristianismo não é de agora, cada época encontra seu modo próprio de demonstrar sua não aceitação em relação aos cristãos, seja através de palavras, músicas, artes, etc. O teatro deve ser visto como um meio de levantar reflexões inteligentes, humanas, e não instintivas. Não vamos cair também no radicalismo dos Calvinistas (século XVI), onde eles proibiam seus seguidores a assistirem peças teatrais, porque acreditavam que teatro é algo de Satanás. Uma das ‘armas’ utilizadas por Satã, segundo os calvinistas, é a manipulação da mente. Uma peça teatral é a manifestação de uma fantasia, sendo assim, fantasia é algo de Satanás, logo, não merece atenção. Não quero cair nesse radicalismo, porque o verdadeiro cristão deve lembrar que está no mundo com tudo que existe: vida e morte, coisas boas e ruins. Não é fechando os olhos para a realidade que se é cristão, mas, assim como nossos santos mártires, homens iguais a nós, não ficar calados com o que vemos na sociedade.
         Mas, o problema nesse vídeo é a falta de consciência em relação ao local onde estão matriculados: PUC. É uma universidade criada e sustentada pela Igreja Católica, ridicularizar a imagem da Igreja é ‘cuspir no prato que come’, porque é graças a ela (Igreja) que estes que hoje cospem e zombam na cara dela, teêm a possibilidade de fazer aquilo que “amam”: a arte chamada teatro.
         Além desses jovens universitários demonstrarem nestes oito minutos de vídeo um trecho da peça que é a favor da democracia, acredito que o conceito desta palavra não foi tão bem entendida por eles. Na democracia eu tenho a possibilidade de falar, expressar com convicção o meu direito, desde que não fira o do outro. Mas, aqui não temos uma DEMOCRACIA, mas, uma ANARQUIA. A anarquia defende que não existe leis, poderes civis, porque tudo é de todos e todos é de qualquer um. Provavelmente, como não sabem o conceito de democracia é bem provável que não conheçam seus direitos civis. O vídeo pode servir como prova  para um processo da ridicularização de uma pessoa-humana que ganha um nome: Papa Bento XVI.  De acordo com artigo III no inciso IV diz que deve “promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer formas outras de discriminação”. Mais adiante no artigo 208 vamos encontrar o seguinte sobre o termo religiosidade: “...impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso; vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso...”, é algo totalmente contra o direito de escolha de sua crença. Eu posso não concordar com sua crença, mas eu tenho o total direito de respeitar, acreditar e manifestar a crença que escolhi, ou seja, eu tenho o total direito de ser cristão.
         É de deixar qualquer pessoa triste com o que vimos, não apenas pela “agressividade” manifestada em relação aos símbolos, mas, em relação ao conteúdo destes universitários. Jovens que jugam o futuro do seu país, que defendem com unhas e dentes serem maduros para serem independentes, mas, as suas ações demonstram o contrário, acreditam entenderem de política, mas, a mentalidade infantil persiste e faz com que as palavras sejam o contrário do que foi pensado.
          Esses jovens fazem jus a aqueles dois termos que o padre Tomás Rodriguéz utiliza no seu livro A direção espiritual que são: eu-animal e eu-social. O eu-animal está ligado ao momento que a pessoa-humana deixa ser guiada pelo instinto. O princípio do prazer é o que rege esse ideal. O desejo de satisfação a si mesmo por fazer algo acaba caindo em um outro ponto: irresponsabilidade. Enquanto o eu-animal trata sobre a irresponsabilidade (não liga aos sentimentos dos outros, faço aquilo porque me deu vontade) e prazer, o eu-social é marcado pelo desejo de aparecer, seria como se dissesse a si mesmo: EU PRECISO SER VISTO POR TODOS, nem que eu passe o papel de ridículo. Com o desejo de ser aplaudido, enaltecido, louvado pelas pessoas, nesse eu faço o que for preciso para atrair todos os olhares sobre mim. Aqui nesse vídeo é o que podemos enxergar: o instinto animalesco em busca de satisfazer seu prazer, uma forte irresponsabilidade e a ânsia de ser ressaltado pelas pessoas. Também, não é a toa que o vídeo foi postado na categoria animal.
         Concluindo, não vou aqui pedir para Deus castigá-los, ou que Deus de uma grande punição a eles, ou que todos vão para o inferno quando morrer. Aqueles cristãos que defendem essa visão não entenderam que Deus é Pai, um Ser amoroso e misericordioso. Em 1Jo 4, 8 diz que “quem não ama não conheceu a Deus, já que Deus é amor”, apoiar castigo, punição, é uma visão cristã deturpada, é reavivar a interpretação do homem no Antigo Testamento em que Deus é opressor, castigador, ou seja, “se você fez tudo direitinho na vida ganhará o céu, caso contrário, ganhará o inferno”. Além de enxergar Deus como funcionário, Ele deve fazer aquilo que eu que sou justo quero. Deus não age dessa forma, a lógica Dele é diferente da nossa, o que nos resta é tomar a mesma atitude de São Paulo, por onde ele passava pedia para intercederem por ele, porque sabia que rezar com fé pelos outros é um dever cristão. Estes jovens erraram, mas, ainda estão no processo de aprendizagem, até porque, conversão é durante toda vida, ninguém nasce cristão, faz-se cristão.

Nenhum comentário:

Postar um comentário