Marcha das
Vadias ou
Marcha das
Vazias?
Olá meus caros jovens, tudo na paz de Cristo? Estou trazendo uma reflexão
sobre uma verdadeira bola de neve que está crescendo cada vez mais e em alta
velocidade. Mas, parece que poucos estão dando valor a isto. É a passeata
intitulada Marcha das Vadias que aconteceu aqui em Aracaju no dia 1 de Junho de
2012.
Em Toronto (Canadá), um policial
estava presidindo uma palestra sobre o alto índice de estupros naquela região,
em meio a palestra, chegou a afirmar que o motivo destes estupros era porque algumas
mulheres se vestiam iguais a vadias, portanto, se não quisessem ser estupradas,
que não se vestissem com tal. Isso fez com que várias pessoas fossem as ruas
utilizando o termo do policial canadense. Por conta disto, tal passeata
reivindicatória ficou conhecida como “A Marcha das Vadias”. Esta Marcha que
começou no Canadá chega ao Brasil – mas, como a maioria das coisas que vem do
exterior ao entrar no Brasil é deturpada – fazendo uma mistura de ideologias
colocando como máscara a defesa da dignidade feminina.
O objetivo desta passeata é
proporcionar a não violência das mulheres, até aqui tudo bem, mas aí se inseriu
nesta passeata a defesa do aborto, a banalização do próprio corpo (chegando-se em
outros Estados a andarem nuas pelas ruas), afirmando que o corpo é dela e ela é
quem escolhe com quem deve ter relações sexuais, a defesa do homossexualismo, defesa
do lesbianismo, tudo isso misturado. Estão percebendo o equívoco? No Canadá a
passeata era contra o estupro, violência e as palavras machistas do policial.
No Brasil uma mistura de ideologias. Em
outras passeatas, como no Rio de Janeiro, chegaram a dizer que o Papa Bento XVI
é contra o aborto porque ele não é mulher. Vejam o perigo desta passeata! Uma
coisa é defender e ir em busca dos seus direitos, outra é afrontar e apontar o
dedo para pessoas rotulando-as como culpadas. Um evento que coloca crianças em
meio a lésbicas, homossexuais se beijando, buscando demonstrar que o importante
na vida é ser “feliz”, fazer o que lhe dá vontade, saborear o gosto do prazer.
Será que esta passeata pode ser vista como um progresso ou um retardo cultural,
moral e existencial?
Mas, o forte desta passeata não foi
nem tanto a defesa da dignidade humana da mulher em relação a violência em
Aracaju, mas, a favor da liberdade sexual. Será que no decorrer da história,
essa está sendo a primeira chamada social da mulher para os olhos da sociedade?
Não. Outras mulheres marcaram a história da humanidade sem precisar andar nuas pelas
ruas com cartazes dizendo: “Não é a minha roupa que vai dizer o meu caráter”.
Será que as mulheres que estavam nesta passeata em Aracaju se lembram deste
evento que ocorreu no século XIX? Será que elas se lembram das 120 mulheres que
morreram queimadas por conta da greve realizada naquela fábrica de tecidos em
Nova Iorque? Mulheres que morreram com o sonho de direitos iguais, em relação: salário,
dignidade humana, melhores condições de trabalho e não preocupadas com coisas
fúteis. Um sonho que custou suas vidas, mas, não foi à toa. Estas mulheres
abriram as portas para a mulher do futuro. E hoje? O que algumas fazem?
Simplesmente jogam fora toda a luta destas “mártires” que lutaram sem precisar
mostrar seus seios, sem apoiar aborto, sem favorecer o lesbianismo, sem apoiar
o homossexualismo, sem gritar que “o seu orgasmo é do tamanho do machismo”. Aqui,
nesta passeata, existe uma grande confusão entre liberdade e libertinagem.
O Catecismo da Igreja Católica nos diz no número 1731 a concepção de
liberdade: “A liberdade é o poder,
baseado na razão e na vontade, de agir, de fazer isto ou aquilo, portanto, de
praticar atos deliberados. Pelo livre-arbítrio, cada qual dispõe sobre si
mesmo. A liberdade é, no homem, uma força de crescimento e amadurecimento na
verdade e na bondade.” Também podemos recorrer a definição resumida de
liberdade pelo filósofo ateu Sartre: “Liberdade com responsabilidade”, este era
praticamente o axioma deste homem. É possível perceber a relação que existe
entre o C.I.C. e o axioma deste filósofo, uma concepção cristã e uma concepção
de um ateu, sendo assim, surge um questionamento: Será que todas as mulheres
que estavam nesta passeata lutando pela sua “dignidade” estavam conscientes das
consequências que iriam causar na mente das crianças e dos jovens, sobre a
necessidade de acharem normais estas escolhas de sexo? Será que não passa de
uma pura libertinagem? Ou seja, acreditar que liberdade é dizer tudo a todos,
espancar com palavras e imagens as pessoas achando que está fazendo a coisa
mais certa do mundo? Não podemos fechar os olhos para a realidade do mundo e
principalmente da nossa cidade. Quiçá, qualquer dia, será considerado uma anormalidade
e motivo de chacota uma pessoa assumir que é heterossexual.
O meu objetivo aqui, caros jovens, é instruir para a NÃO COMPACTUAÇÃO
DESTA PASSEATA, pois “feliz do homem que não vai ao conselho dos ímpios, não para
no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos zombadores” (Salmo 1, 1).
Não esqueçam aquele ditado popular: “Quem com porcos se misturam, farelos
comem”.
A visão fanática, sem os pés no chão, favorece a criação de coisas
absurdas e pobres. Para um católico a cruz não é sinal de sofrimento, mas de
vitória, pois Cristo venceu a morte. Só um ser humano vazio,
pessimista, descrente dele mesmo e dos outros para criar um slogan com uma mulher pregada em um cruz, sendo cravada com pregos que é o símbolo do sexo feminino, tendo sobre sua cabeça uma placa acusando do seu erro. Ser uma VADIA.
O
próprio desenho favorece variadas interpretações: 1) Quem faz o preconceito
sobre roupas, rotulando como vadias, são as próprias mulheres? Já que no
desenho ela é cravada pelos pregos simbolizados pelo sexo feminino. 2) Mas um
dos objetivos da passeata não é defender a dignidade feminina contra o
machismo? Então não são os homens que rotulam como vadias, mas as próprias
mulheres? Estão vendo o quanto a própria passeata é contraditória em relação ao
entendimento dela mesma? Isso é lutar por direitos iguais? Diz-se que luta por
dignidade humana, direitos, mas, destruindo outros e afrontando com imagens e
palavras a crença das pessoas. Tirando Cristo do lugar para colocar ideologias,
pensamentos restritos. Só pessoas sem Deus no coração para chegarem a este
ponto meus caros jovens. Este problema colocado pelo policial canadense em
relação a roupa feminina é algo que já podemos notar desde o período de Jesus
Cristo. Quando São Paulo pede para as mulheres usarem véu sobre suas cabeças
(1Cor 11, 2-6) é para distinguirem-se das prostitutas sagradas e das lésbicas.
Pois as prostitutas sagradas que habitavam nos oráculos pagãos não cobriam seus
cabelos porque o cabelo da mulher era visto como algo sensual, ao contrário das
lésbicas, que cortavam baixo ou até mesmo raspavam sua cabeça.
Vejam como o
modo de vestir não está baseado em uma visão piedosa ou exagero radical, mas,
de dignidade, de se dar valor. Triste das mulheres que pensam que por andarem
seminuas terão todos os homens aos seus pés. Grave engano. Elas podem conseguir
a admiração dos homens, mas nunca os seus corações. Pois sempre serão vistas
como bonecas de plásticos: frias, sem sentimentos, ótimas para brincar e depois
jogar fora. Porque “a veste de um homem, seu sorriso e o seu andar revelam o
que ele é” (Eclesiástico 19, 30).
